No começo da década de 70 a diversão nos EUA tinha uma receita bem simples. Primeiro um motor com oito cilindros em V. Depois muitas polegadas cúbicas como recheio. Válvulas e comandos sob medida fazem parte da cobertura. A “cereja”, por fim é um carburador de corpo quádruplo. Voilá! Detroit criou um muscle car e a América toda saboreou até o último pedaço, ou melhor, até a última gota de gasolina no tanque.
Agora repare bem no capô. Esse era o motivo que fazia a molecada tremer nas bases e as garotas aceitarem um convite até o drive-in. Tremer, literalmente. O Challenger é equipado com um motor de 440 polegadas cúbicas. São 7,2 litros e furiosos 390 cv brutos. O charme se completa com o Six Pack, que consiste em três carburadores duplos debaixo do Shaker, essa grande peça preta que rasga o capô, prontos para injetar combustível, adrenalina e fazer a vida valer a pena. O opcional podia ser adquirido na época por aproximadamente US$ 97.
Mais do que desempenho a idéia principal era justamente chamar atenção. Imagine o efeito moral de acelerar o bólido no semáforo, enquanto se aguarda a luz verde. O Shaker balança – como o leitor confere no vídeo – e inspira respeito. É uma mensagem muito clara de poder.
Texto e video: Renato Bellote


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