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quarta-feira, 7 abril, 2010 - 14:56

Série Injustiçados: Renault Clio Campus

O pequeno Renault inaugura a série dos modelos que deveriam vender mais

O mercado automotivo brasileiro nos últimos anos presenciou a chegada de modelos com inúmeros atributos de venda, mas sem aquele “que” de sucesso. Exemplos não faltam: Bora, que micou pelo inicial preço alto, Focus de primeira geração que, apesar do louvável comportamento dinâmico não vendeu bem, Mégane, que mesmo sendo um belo sedan médio, foi ofuscado pelo novo Civic, lançado 3 meses depois do francês. Mas tem um que está em um segmento que raramente possui um modelo que vende pouco: esse carro é o Clio Campus.

Vendido com preço abaixo da média da concorrência, o pequeno Renault nunca vendeu bem. Nos últimos 2 meses, graças a promoções e ao IPI reduzido, vem empolgando: em fevereiro vendeu 1854 unidades, ficando na 33ª posição do ranking dos mais vendidos e neste mês de março vendeu 3743 unidades, subindo 9 posições na tabela. Entretanto, perto de Celta, Uno, Palio e Ka, o Clio chega a ser raro nas ruas. Uma pena, pois tem mais atributos de venda que muitos rivais. E quais são?

 - Origem: o Clio Campus nasceu no fim de 2008, tendo a Renault o intuito de entrar no segmento de entrada do mercado, com um modelo bom, porém competitivo. Basicamente, retirou alguns itens do antigo Clio Autentique (antiga versão básica) e colocou o sobrenome Campus, em referência ao mundo universitário (um dos públicos-alvos), além de ser o nome dessa geração do carro em vários mercados europeus, onde é carro de entrada, com frente reestilizada e interior ao do Symbol. Ele não nasceu para ser popular. Veio de um modelo que sempre foi elogiado pela generosa lista de itens de série e pelo trato no acabamento, quase um compacto “premium”. Essa geração do Clio nasceu na Europa no começo de 98 e chegou aqui logo no ano posterior, já fabricado em São José dos Pinhais. Surpreendeu ao oferecer bolsas infláveis para motorista e passageiro de série em todas versões, porém sempre foi mais caro em relação aos concorrentes e, mais uma vez, era mais “premium” que os outros. Tinha seu lugar no mercado para aqueles que não queriam um carro totalmente “pelado” e que tivesse alguns “quês” a mais. No lançamento do Campus, ficou claro que a intenção da Renault não era tomar a liderança, muito menos estar entre os 10 mais vendidos. O intuito era disponibilizar no segmento de entrada um modelo popular, porém “menos” popular, por mais que isso pareça uma antítese. E esse é um dos triunfos do Clio: ser “menos” popular. Mas ele é menos popular por quê?

 - Interior:
seu acabamento é mais bem cuidado, apesar de abusar do plástico. Os materiais são de melhor qualidade, riscam com menos facilidade e não se percebe a cor da carroceria por dentro. Em comparação com Gol G4, Mille, Celta, Ka, ou até com o Palio Fire, o Clio passa impressão de “luxo” (entre aspas, obviamente, afinal não possui alças de teto, nem espelho no quebra-sol). Painel de fundo cinza, com iluminação laranja, utilizado no antigo Mégane e na minivan Scènic.

 - Segurança: mais um ponto para o Renault: os faróis tem dois canhões de luz, isto é, mais iluminação, possui barra de segurança no teto (para capotagens), além de ainda ser vendido na Europa. Um pecado é não disponibilizar o airbag, que foi um dos triunfos do modelo no lançamento, nem como opcional. Freios ABS também não são disponíveis.

 - Mecânica: motor de 16 válvulas, funcionamento silencioso, consumo moderado (na cidade, faz a média de 12 km/l (gasolina) e 9 km/l (álcool)), 76 cavalos de potência e mais de 10 mkgf de torque, garantindo desempenho suficiente na cidade. Na estrada, tem que ter cautela, assim como todo veículo de mil cilindradas.

 - Custo/benefício: hoje o Clio Campus parte de 24.490 reais, com ar quente, desembaçador traseiro, cintos de segurança com ajuste e laterais traseiros retráteis e de 3 pontos, banco traseiro rebatível, pré-som, pára-choques da cor do carro, entre outros itens. Para um modelo básico, é bem recheada a lista. O modelo completo, com o chamado Pack Conforto, adiciona ar condicionado, direção assistida, vidros, travas elétricas (travam a 6 km/h), alarme perimétrico, keyless (1 toque abre a porta do motorista, dois toques o resto das portas e o bagageiro), apoios de cabeça traseiro, conta-giros e limpador traseiro. Tudo isso por menos de 30 mil reais (29.290,2 portas, com cor sólida e frete para SP). Não chega a ser tão mais barato que a concorrência, mas só para comparação, um Palio Fire com os mesmos itens custa 31 mil reais. Uma boa diferença. Nesse segmento dois mil reais são mais do que preciosos, podem pagar o seguro, os gastos com documentação e ainda garantir uns três tanques de combustível.

Todavia, nem tudo é perfeito: o freio de mão é um pouco espartano (não tanto quanto o Uno), o ajuste dos bancos não é milimétrico (como o Celta, por exemplo) e a manutenção não é barata como a do GM, mas nada muito abusivo, além da revenda que, por ser um carro que não vende muito, acaba ficando comprometida.  O seguro está um pouco acima da média, pelo fato de suas peças serem um pouco mais caras, entretanto, o carro é bem pouco visado para roubo (item fundamental de avaliação nos grandes centros).

Por fim, fica a impressão de injustiça, afinal o carro tem atributos para desbancar os campeões: qualidade, mecânica avançada, segurança, tudo isso sem cobrar na hora de assinar o cheque. Cabe ao comprador pensar bem na hora de investir em um popular, pois ele pode voltar para casa com um modelo não tão franciscano gastando quase nada a mais (ou até economizando, dependendo do concorrente).

Texto: Bruno S.Vieira

Fotos: Divulgação

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