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segunda-feira, 21 maio, 2012 - 22:54

Primeiro andar: sedãs compactos

Uma das categorias mais populares do Brasil esmiuçada em três etapas

Por Bruno Sponchiado

Uma casa triplex. É assim que podemos definir o segmento dos sedãs compactos no Brasil. Sim, são três andares. Vamos explicar: o primeiro andar é aquele menor, mais simples, isto é, segmento de entrada, composto pelos modelos mais baratos (25-35 mil), massificados nos grandes centros urbanos e composto por veículos de aspecto mais espartano, com motorização menos potente. Fiat Siena Fire e EL, Chevrolet Classic, Chevrolet Prisma, Ford Fiesta Sedan, Renault Logan, Volkswagen Voyage.

Em seguida, vem o segundo andar: mais espaço, um pouco de refinamento e móveis mais caros. São modelos com preço entre 35 e 50 mil, oferecem motores mais potentes, mais “mimos” e representam a coqueluche do momento, formados por Chevrolet Cobalt, Nissan Versa, Fiat Grand Siena. E ainda tem aquele quarto de fundo, meio apertadinho, mas decorado com dignidade: Renault Symbol, Peugeot 207 Passion e JAC J3 Turin.

Na cobertura, um loft: nem tanto espaço, mas luxo, qualidade de construção e status. São modelos que tem preço de médio, às vezes até porte de médio, mas que, com as reviravoltas de mercado, podem ser considerados compactos Premium. Os preços? Entre 50 e 60 mil. Vamos citá-los: Honda City, Kia Cerato, Ford New Fiesta, Fiat Linea, Volkswagen Polo Sedan. Em breve chega o Chevrolet Sonic, que deve mexer com as bases do segmento.

Vale lembrar que estas definições são apenas mercadológicas, partindo de análises de público-alvo, mesclando com preço e vendas. E vários modelos podem subir e/ou descer de andar, de acordo com certas configurações. Por exemplo, o Voyage, em sua versão top de linha, pode chegar aos 50 mil reais, com motor 1.6 e câmbio automatizado. O Logan tem até câmbio automático.  O Polo Sedan, em versão básica, pode ser encontrado por 46 mil, descendo para o segundo andar. Ou seja: muitos estão na “escada”.
Como são categorias importantíssimas do mercado brasileiro, repletas de veículos bons de vendas, vamos esmiuçá-las em uma série de três reportagens, que vão escolher os melhores carros e as melhores compras de cada andar. Comecemos pelo primeiro.

Tem horas que duzentos e poucos litros de porta-malas não são suficientes e o caminho natural para as famílias donas de compactos populares e dar um passo em direção ao sedãszinhos. Baratos, práticos, robustos e, felizmente, baratos, os sedãs de entrada representam boa parte dos veículos zero quilômetro vendidos no Brasil.

6º LUGAR - FORD FIESTA SEDAN (1.0 e 1.6)

O Fiesta Sedan, lançado em 2005 na versão seda, três anos após a carroceria hatchback, ainda é um bom carro. Espaçoso, com bom porta-malas - braços pantográficos que não ocupam espaço do bagageiro, item exclusivo do Ford no segmento e raro no mercado, uma boa qualidade de construção e um acabamento honesto, bem melhor que as primeiras unidades, com plásticos duros. Mas por que mereceu a lanterninha do comparativo? Simples: por ser um veículo familiar, o carro muitas vezes vai andar lotado, com ar condicionado ligado e enfrentando as estradas desse Brasil Varonil. E o Fiesta, caso equipado com o motor 1.0 (a partir de R$ 32.950), sofre com o motor mil. E como sofre. Acredito que não passe de 135 km/h em uma reta. São 73 cavalos na gasolina. Na cidade, até que rende, caso se abuse do acelerador e das trocas de marcha – algo que vai prejudicar o consumo, é verdade. Como a versão 1.6 ultrapassa a categoria dos 35 mil reais, o Ford fica com o último lugar.

MELHOR OPÇÃO: Caso realmente queira levar o Ford, a montadora com sede em São Bernardo do Campo vem oferecendo uma promoção interessante: quem compra o sedã básico, leva o 1.0 completo. E quem compra o 1.0 completa, leva, gratuitamente, o 1.6 completo, por 35.900 reais. Fugindo 900 reais da categoria, fique com ele. Seu relógio e sua paciência agradecem.

5º LUGAR - CHEVROLET PRISMA (LT)

Se o Fiesta é marcado pelo mau desempenho, o Prisma mostra serviço pela agilidade. Leve (905 kg) e ligeiramente potente (97/95 cv), o pequeno Chevrolet é um foguetinho. Mesmo com capacidade máxima e ar ligado, a performance ainda é satisfatória. Mas, como já falamos, ele é pequeno. Apertado (dois adultos e uma criança atrás vão reclamar, imagine três adultos), defasado (mesmo lançado em 2006, o carro deriva do saudoso Corsa, de 1994), o Prisma está no mercado abastecendo ex-donos de Celta, frotistas e velhos compradores da GM. O preço também não é dos melhores. Completo, com ar condicionado, direção hidráulica e vidros elétricos, pode passar de 36 mil reais, em tabela de fábrica. A segurança também não é valorizada: airbag ou ABS nem em sonho. Apesar do bom desempenho e comportamento dinâmico – agüenta a buraqueira das grandes cidades com desenvoltura e faz curvas com uma certa competência, o Prisma deve sair de linha até o fim de 2014, ou até antes. Um bom carrinho. E só.

MELHOR OPÇÃO: Oficialmente, a GM só produz Prismas LT com motor 1.4 (as versões LS e com motor 1.0 são destinadas para frotistas – PJ), portanto, a melhor opção dentro da linha é comprar o modelo completo, oferecido em algumas concessionárias por módicos 33.900.

4º LUGAR - FIAT SIENA FIRE/EL (1.0 Fire, EL 1.0 e 1.4)

Os Sienas de entrada vivem seus últimos dias de vida – na carroceria atual. O modelo Fire, com visual da terceira geração do Palio (lançada em 2004), sai de linha em breve, deixando a versão EL, com visual G4, como primeira configuração do sedã. O Siena EL ganhará um pequeno facelift interno e externo para manter-se atualizado, principalmente próximo do seu irmão maior, o Grand Siena, grande até no nome. No mais, é um carro conhecido. Internamente, espaço razoável, mas que remete ao fim dos anos 90, quando foi lançado. Acabamento O.K, com a cara Fiat. Mecanicamente, robusto, muito usado nas praças de táxi de todo o Brasil e confiável, tanto com a motorização 1.0 quanto com a 1.4. O desempenho é satisfatório na cidade, com ambos os propulsores. Na estrada, com malas e crianças, descarte o 1.0. São poucos cavalos de diferença (75/86, no álcool), mas essencialmente necessários em situações de retomadas de velocidade. Em termos de mercado, é um carro consagrado, bem-aceito. Um carro mediano, que tem seu lugar ao sol.

MELHOR OPÇÃO:
É possível encontrar a versão EL 1.4 2012, de cara antiga, com boas promoções. Completinho, por bons 35 mil reais. Caso não se importe com o estilo conhecido e com o pouco espaço para cabeças atrás, pode ir que será bem atendido.

3º LUGAR - CHEVROLET CLASSIC (LS, única)

Você não tem aquela calça jeans baratinha, bonitinha e que serve para várias ocasiões? Eis o Chevrolet Classic: bonitinho, baratinho e pau para toda obra. O mesmo carro lançado em 1995, com várias pequenas reestilizações, o pequeno seda mantém-se como um dos veículos mais vendidos do país há séculos. O sucesso vem do preço (pode ser encontrado, em modelo básico, por 26 mil reais), mecânica consagrada, espaço razoavelmente interessante e desempenho excelente para um 1.0. Com 78 cavalos na gasolina, o Classic chega a animar na cidade. Na estrada, carregado, é faixa da direita, mas com dignidade. O porta-malas é compatível com a proposta do carro e o acabamento, a cara dos anos 90. Bom de mercado, bom de manutenção e bom de preço, o Classic deve ficar no mercado até 2014, quando deve ganhar um sucessor.

MELHOR OPÇÃO:
Quem opta por um Classic, tem dinheiro contado. Se é essa a sua situação, fique com o modelo básico, no máximo ponha um ar condicionado (“Moro..num país tropical...”, já dizia Jorge Bem). 29 mil reais. Pronto. Vista e usa.

2º LUGAR - VOLKSWAGEN VOYAGE (1.0, 1.6, 1.6 I-Motion, 1.6 Comfortline, 1.6 Comfortline I-Motion)

Quem anda em um Voyage, geralmente assina o cheque logo após a voltinha. Com um excelente acerto de suspensão, direção e câmbio/motor, mesmo com motorização 1.0, o sedã da Volks agrada quem gosta de dirigir. Mas, como todo Volkswagen, peca no preço: parte de 33.200 reais, seco, com motor 1.0. Falando no propulsor, com 76 cavalos no álcool, o milzinho puxa direitinho o Voyage. Na cidade, é o adequado. Na estrada, segue a receita dos concorrentes: guie com parcimônia. Internamente, agrada pela qualidade dos materiais – os melhores do segmento – e pela construção, moderna. O espaço é mediano, assim como a capacidade do bagageiro. Em termos de segurança, pode receber airbag e freios ABS, em um dos 124234537 pacotes de opcionais que a VW oferece. E cobra. Enfim, com motor 1.6 o carro fica perfeito, um dos veículos compactos mais gostosos de dirigir do mercado brasileiro, mas, mais potente, facilmente ultrapassa os 40 mil reais, fugindo do nosso orçamento. Se você tem um pouquinho a mais para dar em um sedã compacto 1.0, fique com o Voyage, mesmo com as mudanças em breve (resumo: cara de Fox).

MELHOR OPÇÃO:

Com um dos Kits Trend, que inclui ar condicionado, direção hidráulica, trio elétrico, chave canivete, computador de bordo e frisos/maçanetas/retrovisores da cor do carro, o Voyage 1.0 pode ser encontrado por 35 mil reais, pechinchando.

1º LUGAR - RENAULT LOGAN (1.0 Autentique, 1.0 Expression, 1.6 Expression e 1.6 16v Expression Automatic)

Quem compra seda pequeno, quer espaço com preço baixo. E quem quer espaço, vai se achar no Renault Logan. Quem quer preço baixo, também. Com tamanho e espaço interno de sedã médio, preço de hatch popular e garantia de três anos, o Renault é uma belíssima opção de compra no segmento. A mecânica é robusta: motores 1.0 16v, com bons 77 cavalos e 1.6 8v com 95, além do 16v com 112 (este somente acoplado ao câmbio automático de quatro marchas). São bons propulsores e que trazem desempenho adequado à proposta do carro. No caso do motor mil, vale a fórmula “pé fundo”, para conseguir-se uma performance razoável com carro cheio em estradas. Os 1.6 rendem de maneira semelhante, considerando-se a potência “roubada” pelo câmbio automático. O acabamento é simples e com algumas falhas, mas levemente superior ao do primeiro modelo lançado no Brasil, em 2008. É um carro popular. Está em seu DNA. Partindo de 28.610 completamente básico (sem calotas), o Logan faz valer suas principais qualidades em dois momentos: na assinatura do cheque e no convívio, com espaço generoso e manutenção barata, com revisões programadas e de preço fixo.

MELHOR OPÇÃO: Se você tem dinheiro contado, no máximo 30 mil reais, fique com a versão Expression 1.0 com ar e direção, encontrada nos grandes centros por 29.900 reais. Caso tenha um troco a mais, invista na Expression 1.6, por 35 mil, que acrescenta alguns itens (faróis de neblina, duo elétrico, rádio), além de motor que agüenta a turma tudo.

Fotos: Divulgação

OBS: Na última segunda-feira (21), o ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou redução nas taxas de IPI dos carros nacionais e importados, ou seja, os preços cairam. Nem todas montadores divulgaram suas novas tabelas de preço, mas, estimando, pode-se reduzir o preço das versões acima citadas em, pelo menos, 1500 reais. Aproveite e consulte uma concessionária.

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