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terça-feira, 17 março, 2009 - 23:06

Sinais de Mudança

Redução do IPI muda perspectiva do mercado no ano

A reação positiva das vendas neste mês comprova o acerto da redução da carga fiscal sobre os veí­culos, mesmo que por um trimestre. A prorrogação até 30 de junho, pelo menos, só será anunciada no final de março a fim de evitar perturbações no mercado. í‰ ní­tido o processo de sintonia fina entre o governo e a cadeia de produção automobilí­stica em um momento de pessimismo gerado pela divulgação da brutal queda de 3,6% da economia brasileira no último trimestre de 2008. O presidente do Sindipeças, Paulo Butori, chegou a reivindicar na semana passada que a diminuição do IPI continue até o final do ano.

Numa análise fria, o Brasil deve entrar tecnicamente em recessão no fim de março. Isso ocorre quando há crescimento negativo do Produto Interno Bruto (soma de tudo que um paí­s produz) por dois trimestres seguidos. A retração do primeiro trimestre de 2009 será bem menor, mas se repetirá. Não significa que o ano fechará negativo, porém fica cada vez mais claro que o crescimento estará perto de zero, segundo a maioria dos economistas. Dentro do contexto mundial até será um resultado razoável, frente a outros paí­ses. No entanto, a crise atingiu o Paí­s de forma intensa, comprovando que mensagens de falso otimismo do governo só atrapalham.

De outro lado, a capacidade de recuperação do mercado de automóveis é surpreendente. Demonstra que o consumidor enfrentou um longo perí­odo de demanda reprimida (1998 a 2003) e mesmo assim ainda sonha com o carro próprio. A importância dos financiamentos permanece fundamental ao combinar prazos mais longos e taxas de juros contidas. Até setembro do ano passado, a prestação média era de R$ 787,00/mês. Hoje alcança R$ 955,00, o que explica o encolhimento das vendas, reflexo de prazos menores e juros mais altos.

A inadimplência subiu, empurrada em grande parte pelo aumento de desemprego. Entretanto, está longe de se caracterizar um fator de alto risco, como ocorre nos EUA. A proporção de prestações atrasadas acima de 90 dias superou 4%, próxima das médias históricas. Como o mercado cresceu muito, os veí­culos retomados, também. Nada de desesperador. O impacto severo da crise acontece, de fato, na desvalorização do carro usado. Trata-se de um problema espinhoso de curto e médio prazos.

Alguns sinais de mudança, porém, surgem em São Paulo, praça que influencia todas as outras. Os lojistas retomaram, timidamente, a compra de modelos usados para recompor estoques, sem obrigação de troca. Ou seja, a liquidez começa a voltar, embora ainda sem reação das cotações. O Banco do Brasil abriu linha de crédito para revendedores independentes reforçarem o capital de giro, o que ajuda a destravar o mercado, em especial de seminovos.

A cada carro novo, três usados são vendidos. Se estes tiverem seus preços tão depreciados como hoje, fica difí­cil o retorno í  normalidade. Um fení´meno interessante, todavia, vem sendo detectado. A concorrência está levando a uma valorização do usado de marca diferente da concessionária que recebe o automóvel na troca por um novo. Quem está disposto a mudar de fabricante pode aproveitar: há tendência de o concorrente pagar melhor pelo seu usado.

RODA VIVA

HATCHS médio-compactos, antes com poucas novidades, foram reforçados pela chegada do Citroën C4. Além de rejuvenescer a oferta, graças ao estilo moderno, oferece relação preço-benefí­cio surpreendente em toda a gama da faixa de R$ 50 mil a R$ 70 mil. Destaques: compromisso estabilidade-conforto das suspensões e volante de cubo fixo (permite otimizar forma do airbag).

MERCEDES-BENZ dispõe na versão cupê do Classe C, produzido apenas em Juiz de Fora (MG), de um produto bastante competitivo. Sucessor do Sports Coupé, o CLC evoluiu técnica e estilisticamente, a um preço atraente de R$ 125 mil. Tem direção de respostas rápidas e ótimo acabamento. Motor de 1,8 l/184 cv com compressor ficou mais potente e silencioso.

HONDA prevê que metade das vendas de sua moto-chefe CG 150 será do modelo Mix, primeiro produto com motor flex (etanol-gasolina) no mundo. A fábrica decidiu por sua própria engenharia executar as mudanças necessárias. Em dias frios há que se colocar até 3 litros de gasolina no tanque, caso se dê preferência a consumir etanol. No norte e nordeste, clima quente, dispensa.

CONTINUA confusa a inspeção ambiental em São Paulo. Reprovação muito alta de motocicletas levou a modificação de critérios, alegando-se combustí­vel adulterado, o que é incorreto. Já apenas 1,6% dos automóveis apresentou problemas e não se informa o percentual para aqueles até três anos de produção: provavelmente zero. Perda de tempo e dinheiro.

QUEM tiver curiosidade de conhecer os 50 piores automóveis da história, no entender da revista Time, pode checar pela internet no link: http://www.time.com/time/specials/2007/completelist/0,,1658545,00.html . A lista começa em 1899 e chega aos dias de hoje. A coluna concorda integralmente com a lista. Talvez aumentada...

Fernando Calmon é jornalista especializado desde 1967, engenheiro e consultor técnico, de comunicação e de mercado. Escreve todas í s terças-feiras para o AutoDiário.

 

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