Por João Paulo Cunha Melo*
1. Quem é Fernando Morita ( sobre voce, onde nasceu, estudou)?
Nasci e vivi em São Paulo, Zona Norte, tenho 27 anos, nunca fui um bom aluno na escola, sempre vivi em meu mundo de viagens e desenhos em capas de cadernos, ate terminar o colegial, ai descobri que teria que escolher uma faculdade. Não fazia nem idéia, pois sempre fui apaixonado por carros e por desenho, mas nunca tinha pensado em como iria ganhar a vida, entrei na Belas Artes no curso de Artes Plásticas, porem com o tempo vi que o que eu queira não poderia ser aprendido lá, então mudei para Design de Produto.
2 - Como iniciou sua carreira, a paixão por desenhar automóvel?
Desde o inicio da faculdade vi que aquele era meu mundo e era quase aquilo que eu queria fazer porem sempre senti uma sensação de: “ainda não e isso”, o que me fez sempre ir em busca de algo novo, não importando os riscos, comecei como estagiário em uma fabrica de brindes, depois estagio no IPT, onde aprendi sobre moveis e madeiras, ai entrei num escritório de design onde aprendi muito com Wilson Sanches, então ganhei o concurso de design da VW, isso em 2001, junto com Gabriel e Arnaldo, onde passamos um ano de estagio na VW do Brasil. Foi onde percebi que era isso que eu gostava de fazer, ate que passado esse um ano fomos chamados para ir para a Alemanha, mais um ano de aprendizado, onde trabalhei em muitos carros de produção, porem ainda não achava que era o lugar certo. Consegui ir para Espanha, Design Center Europe, onde teoricamente só trabalhariam com carros conceitos, foi onde conheci figuras como Daniel Simon, Cristian Felske, Cris Gudima, e muitos outros caras bons no que fazem porem ainda não me via neles.
Ai resolvi pedir as contas e sair da VW, me dei ferias de três meses! Nesse tempo fiz um mochilão rápido na Itália com o intuito de ir ate a Alfa Romeo, design que sempre apreciei, tem muita forca e personalidade, o que não via na VW, deixei meu currículo, porem nunca fui chamado.
Depois dos três meses acabei voltando para VW do Brasil, onde fiquei por mais um ano me iludindo e voltei novamente para Alemanha, o que seria o sonho para muitos para mim foi à gota d agua para eu pedir as contas de vez.
3 - Quais os desafios diários e em longo prazo dos projetos em uma montadora?
Bom, o desafio e muito diferente para cada um, dependendo do ponto de vista e de acordo com o que cada um esta disposto a passar, por exemplo, eu não estava disposto naquele momento da minha vida a abdicar da minha vida pessoal em nome da VW. O dia a dia do trabalho e como se você vivesse em outro mundo, um trabalho que você ganha bem, não tem hora para entrar (nem para sair), praticamente não precisa escrever, não precisa fazer forca, e passa os dias desenhando e brincando de massinha (clay). Parece um mundo perfeito ne?!
Mas tem também as pressões, reuniões intermináveis, packages que mudam o tempo todo alterando assim o design, chefes e mais chefes, brigas internas por poder, prazos curtos, alem de muitos desafios tanto técnicos como de superação diária em design.
4- Como foi sua experiência na VW da Alemanha?
Tudo traduzido em uma frase: Uma escola de vida.
Aprendi muito e não seria metade do que sou hoje se não tivesse ido lá, porem não volto mais.
5- Fale sobre sua atual empresa, a Amoritz GT?
Depois de 4 anos na VW, acabei tomando uma decisão natural, que meu coração já tinha feito há muito tempo. Deixei de ser peão para puxar a minha própria carroça.
Não me arrependi em momento algum a minha decisão, estou no terceiro ano da AmoritzGT, e nesse tempo já aprendi muito, batalho diariamente para ganhar dinheiro e sobreviver, uma coisa que não precisava fazer na VW, porem nesse curto tempo já tenho um carro conceito que só falta por a mecânica, quem sabe um dia não comece a produzi-lo?!
Hoje a AGT vive como um estúdio de design automobilístico, fazendo: criação, modelação, engenharia, protótipos e pecas únicas para carros exclusivos.
Sempre foi um objetivo meu juntar design e customização automotiva, hoje faz isso.
Desde um pára-choque novo, um carro de corrida ate um carro inteiro novo em carbono, com “zilhoes” de cavalos.

6 – Qual a dica que você daria a pessoas que estão iniciando a estudar ou se formando em design, para conseguir um dia ser designer em um estúdio?
Desenhar, pesquisar e viver muito, tudo e essencial para um bom designer, para você ser bom, tem que ter um conjunto de qualidades. Tem que saber desenhar, entender de superfícies, ter vivido muito, porque o designer poe no papel o que ele sente, e tem dentro dele. Saber explicar e apresentar o seu trabalho, falar inglês, e entender que só consegue algo aquele que fez por merecer. Então e só batalhar, correr atrás e se destacar na multidão, sabendo que não existem limites, quem limita você e você mesmo.
Vou dar um exemplo, quando comecei a AmoritzGT estava sozinho, porem um amigo também muito fá de carros, resolveu começar a me ajudar sem nada em troco, fizemos muitos eventos de carros, fizemos um carro de corrida, um modelo 1:4 e um protótipo 1:1, idade?! Ele só tinha 16 anos e ainda estava no colegial, hoje se ele quiser consegue ate entrar num estúdio de montadora! E apesar de não pedir nada em troca acabou ganhando o que merecia: R$, e reconhecimento, alem de muita experiência que muito designer formado não tem.
*João Paulo Cunha Melo, Designer de produto pela a Faculdade de Belas Artes de São Paulo e sócio da Wide Industrial Design (site), escreve para o AutoDiário quinzenalmente na Coluna Design em Movimento

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