* Bruno Freitas
Os três anos de garantia ou 100 mil km são um dos trunfos do Logan, a próxima investida da Renault no mercado brasileiro. Mas parece que só agora, quase um ano após o lançamento do Mégane nacional, a marca tem percebido suas falhas de marketing, e consequentemente, perdas em vendas.
A começar pela defasagem nas duas linhas-chefe do fabricante no Brasil: Clio e Scénic. O primeiro apesar das diversas opções de carroceria (hatch e sedã) e motor tem conquistado público fiel restrito, perdendo feio para outro francês, o Peugeot 206, por exemplo. Já o Scénic sofre com a queda de popularidade das minivans, desatualizadas frente à enxurrada de novos sedãs médios, repletos de tecnologia e que custam na mesma faixa de preço. Outro fator no mínimo estranho é a presença pífia de publicidade na mídia e baixo investimento em novos concessionários, como em Minas Gerais. Sem estas duas variáveis o raio de atuação e popularidade fica bastante restrito.
Bons produtos
Por um lado nos últimos lançamentos a Renault tem acertado em cheio. Pelo menos na proposta. Mégane sedã e perua (Grand Tour) têm a melhor relação custo-benefício do segmento, ao agregar excelente motorização a um farto pacote de equipamentos. Esperado para o segundo semestre de 2007, o Logan sedã abrirá caminho a uma nova família de compactos. Tem como grandes atributos o espaço interno, boa capacidade no porta-malas, motor ágil e econômico e manutenção acessível.
Só faltaria então definir o futuro de Clio e Scénic. Ambos batem de frente com Logan e Mégane Grand Tour, pois apesar das propostas distintas, atendem a um mesmo público. Também seria prudente importar modelos que adicionem imagem e status, como o Mégane Coupé-Cabriolet ou o novo Scénic de sete lugares.
Ao invés de oferecer bons produtos na mesma faixa, a saída para a Renault está no foco publicitário, e consequentemente, popularidade. Hoje rotulada por leigos como marca de modelos importados, poderá assim mostrar que seus produtos estão entre os melhores do mercado e em nível de satisfação do cliente.
* Bruno Freitas é jornalista especializado no setor automotivo e escreve esta coluna crítica semanal, às quintas-feiras, para o AutoDiário.

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